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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Patty, prazer

 
Digo sempre que não sou perfeccionista.

Começou quando se iniciou a fase de preparação para o mercado de trabalho. Quando nos falavam em entrevistas, havia uma pergunta que surgia sempre: principais defeitos ou, vá lá, coisas menos boas, que defeitos a sério ninguém diz. E o que é que surgia a 99% das pessoas a quem essa pergunta era feita? Perfeccionismo. Ah, que sou tão perfeccionista que só quando as coisas estão perfeitas é que fico satisfeito, como se fosse um grande defeito (e como se fosse verdade, grande parte das vezes). Tretas. E, por isso, sempre me recusei a dizer que era perfeccionista, até porque nunca me considerei. Nunca fui daquelas pessoas que, num trabalho de faculdade que se fazia em, digamos, 3 horas, 2 eram perdidas a formatar e a pôr bonitinho. Não, o que ali me interessava era realmente o conteúdo. As formatações, para mim, eram sempre as mesmas, simples e straigh to the point. Mas sempre apanhei daqueles colegas que pesquisar e escrever que é bom, fica para os outros, porque o que é importante é pôr aquele título mais azul petróleo e o outro mais azul céu. Que perda de tempo.

O que é certo é que agora me vejo a fazer o mesmo para o blogue. Ah, se puser a letra um bocadinho maior fica mais bonito. Deixa cá ver se a imagem fica mais centrada, se acrescentar aqui mais um espacinho à esquerda. Com tanto que tenho para fazer para a tese, que praticamente ainda não comecei e para a qual tenho menos de uma semana para entregar o projecto, e ando nisto. Terei passado a ser assim tão perfeccionista? É que, se pensar bem, também sempre o fui, mas com coisas muito específicas e de que gosto realmente: com a história dos blogues, com decoração (nem vos digo nem vos conto quantas vezes já alterei a disposição dos móveis do meu quarto. De vez em quando vão os da sala.), enfim. Afinal sempre o fui e só não admitia por simples obstinação. Não quero ser igual aos outros. Mas... até posso admitir sê-lo, agora dizê-lo como defeito numa entrevista, isso é que continua fora de questão. Continua a soar-me mal, querem o quê?

Bem, esta conversa para dizer que mudei a imagem do blogue e mudei também o meu nome de apresentação, que o anterior já me andava a chatear (foi demasiado escolhido à pressa porque eu queria era escrever). Agora sou a Patty, mais perto da realidade. Praticamente ninguém me chama assim, com excepção da melhor colega de trabalho (e amiga) que tive o prazer de conhecer. Se há coisa que vou ter saudades nesta empresa, é dela (mas apesar de tudo, vou ter saudades de muita coisa). Por isso, e como hoje foi anunciada a minha saída da empresa e ainda estou com um aperto no coração que agora é que já está mesmo e não há como voltar atrás, decidi usar este nome. Patty.

sábado, 30 de janeiro de 2016

Porque "A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor.", Joseph Addison

(achei que se enquadrava)
 
Longe de não gostar do meu país (que adoro e de que me orgulho em muita coisa), mas há certas comparações que são inevitáveis de fazer.

Ainda em relação ao post anterior, não é apenas a comida que me atrai no Masterchef Australia. Ali nota-se companheirismo, entreajuda e as pessoas ficam felizes com os sucessos das outras. É uma coisa que praticamente não se vê no programa português (e se falarmos no espanhol, ainda mais), em que transformam um concurso em que o foco é a cozinha numa espécie de reality show, com brigas e ódios em cada desafio. E o que transparece no programa não foge assim tanto da realidade, o que me entristece por ser tão ligada às pessoas.

Para mim, as relações humanas são O mais importante. Bem que posso adorar um trabalho e ser óptima a realizá-lo mas, se o ambiente for mau, se não sentir uma mínima empatia com as pessoas, se toda a gente disser mal dos outros gratuita e discriminadamente, custa muito, custa muito muito mais.

Não acho que sejamos aquele povo simpático que se ouve quando se fala dos portugueses. Acho-nos, no geral, pessimistas, sizudos e muito preocupados com o seu próprio umbigo. Claro que há excepções (e felizmente conheço muitas) mas é a minha impressão geral sobre os portugueses. Entristece-me realmente. Como disse, adoro o meu país e gostava de também sentir mais empatia com as pessoas que cá vivem. Mas, como em tudo, não é perfeito. Resta-nos saber lidar com isto, melhor ou pior, o que conseguirmos.